A obra Murmúrios amazônicos: haicais, do professor, pesquisador e escritor Cacio José Ferreira, foi a vencedora da 2ª edição do Prêmio Frauta de Barro (2025–2026), promovido pela Valer Livraria Editora e Distribuidora Ltda. A antologia deverá ser lançado ainda no segundo semestre de 2026, consolidando-se como uma das publicações poéticas mais aguardadas do cenário literário amazônico contemporâneo.
A premiação reconhece obras inéditas de relevância estética e literária, e a escolha de Murmúrios amazônicos: haicais evidencia a força da poesia breve como espaço de experimentação simbólica, filosófica e imagética. Inspirado na tradição japonesa do haicai, a obra recria a forma clássica a partir das paisagens, cosmologias, sonoridades e experiências sensíveis das Amazônias.
Na apresentação da obra, destaca-se que os poemas operam como “superfície mínima e abismo simultâneo”, em que o instante poético se converte em experiência de revelação. A floresta assume a condição de organismo vivo, voz difusa e território de ressonâncias. Entre o gesto de contenção característico do haicai japonês e a potência simbólica amazônica, a obra estabelece diálogo intercultural timbrado pela delicadeza da linguagem e pela densidade imagética.
A publicação também propõe a experiência estética em que memória, mito, natureza e cotidiano se entrelaçam. As Amazônias surgem como linguagem viva, recusando leituras exóticas ou simplificadoras. Em versos condensados, elementos como água, folhas, rios, silêncio e vento adquirem dimensão ontológica, convertendo-se em sinais de permanência, travessia e escuta.
A obra Murmúrios amazônicos: haicais é atravessada pela floresta e restitui ao leitor a experiência rara de escutar o que, quase sempre, insiste em permanecer inaudível. A escrita de Cacio José Ferreira articula tradição e reinvenção, aproximando Bashō, Issa e Buson das paisagens amazônicas, produzindo a poética em que o efêmero e o ancestral coexistem.
Com o reconhecimento do Prêmio Frauta de Barro, a obra amplia o diálogo entre literatura brasileira contemporânea, poesia japonesa e imaginários amazônicos, reafirmando a potência estética da brevidade poética como espaço de resistência, memória e contemplação.
