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Despedir-se de Del Mar é como tentar dizer adeus ao próprio movimento do mar. Impossível fazê-lo sem que o peito se encha de sal, memória e silêncio. Há nomes que são paisagens, estados de espírito, rumores que permanecem mesmo quando a voz se cala. Maria Del Mar foi isso! Presença que ondulava, suave e intensa, deixando rastros de luz onde passava.

Hoje, a ausência soa como uma maré baixa. O que fica é este espaço suspenso, em que cada lembrança retorna em forma de espelho reluzindo o gesto delicado, o olhar atento, a maneira quase invisível com que ensinava a esperança a não desistir. Partir, no caso dela, não é desaparecer, é espalhar-se. Está no vento que toca a pele sem ser visto, na água que insiste em seguir, no tempo que aprende a ser menos duro quando a evocamos.

Dizer adeus é, então, um exercício de gratidão. Gratidão pelo que foi dito e, sobretudo, pelo que foi vivido em silêncio; pelos dias simples que agora ganham espessura de eternidade; pelo amor que deixa marcas fundas. Maria Del Mar atravessou nossa vida como quem sabe que o essencial não faz ruído, permanece.

Que o lá seja de calmaria, e que nós, os que ficamos, aprendamos a ouvir suas ondas quando o mundo parecer árido demais. Guardarei seu nome como se guarda um amuleto para lembrar que houve beleza, que houve encontro, que houve luz. Adeus, Maria Del Mar, e que o invisível, enfim, saiba cuidar de você.

Texto de autoria do Prof. Cacio Jose Ferreira.

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