María del Mar Paramos Cebey

1973-2025

In Memoriam — Profª. María del Mar Paramos Cebey (1973–2025)

María del Mar Paramos Cebey nasceu em 1973 em San Pedro de Fiopáns, distrito do município de A Baña, na Galícia, Espanha. Foi professora adjunta do Departamento de Línguas Estrangeiras e Tradução (LET) do Instituto de Letras da Universidade de Brasília (UnB) e atuou no Programa de Pós-Graduação em Estudos da Tradução (Postrad).

Com formação em Filologia Hispânica pela Universidade de Santiago de Compostela, aprofundou sua trajetória acadêmica no Brasil, concluindo mestrado em Linguística Aplicada e doutorado em Literatura e Práticas Sociais pela própria UnB. Amplamente reconhecida no ambiente universitário, dedicou sua carreira ao ensino, à pesquisa e à formação de novos profissionais nas áreas de tradução e língua espanhola.

Suas pesquisas concentravam-se na didática da tradução e versão, na tradução pedagógica e literária, nos estudos de gênero e na interpretação comunitária. Entre suas contribuições, destacam-se a tradução para o espanhol da obra Registro Arquitetônico da Universidade de Brasília, publicada pela Editora UnB, e a coordenação do projeto Além das Margens: estudos sobre a violência trans, voltado ao mapeamento de pesquisas sobre violências contra pessoas transgênero. Foi também orientadora da empresa júnior do Instituto de Letras, a EJ Quimera.

Sua partida, em 28 de novembro de 2025, aos 52 anos, foi uma grande perda para o Instituto de Letras e para todos que conviveram com seu talento, seu acolhimento e seu entusiamo pelo conhecimento.

Despedir-se de Del Mar é como tentar dizer adeus ao próprio movimento do mar. Impossível fazê-lo sem que o peito se encha de sal, memória e silêncio. Há nomes que são paisagens, estados de espírito, rumores que permanecem mesmo quando a voz se cala. Maria Del Mar foi isso! Presença que ondulava, suave e intensa, deixando rastros de luz onde passava. Hoje, a ausência soa como uma maré baixa. O que fica é este espaço suspenso, em que cada lembrança retorna em forma de espelho reluzindo o gesto delicado, o olhar atento, a maneira quase invisível com que ensinava a esperança a não desistir. Partir, no caso dela, não é desaparecer, é espalhar-se. Está no vento que toca a pele sem ser visto, na água que insiste em seguir, no tempo que aprende a ser menos duro quando a evocamos. Dizer adeus é, então, um exercício de gratidão. Gratidão pelo que foi dito e, sobretudo, pelo que foi vivido em silêncio; pelos dias simples que agora ganham espessura de eternidade; pelo amor que deixa marcas fundas. Maria Del Mar atravessou nossa vida como quem sabe que o essencial não faz ruído, permanece. Que o lá seja de calmaria, e que nós, os que ficamos, aprendamos a ouvir suas ondas quando o mundo parecer árido demais. Guardarei seu nome como se guarda um amuleto para lembrar que houve beleza, que houve encontro, que houve luz. Adeus, Maria Del Mar, e que o invisível, enfim, saiba cuidar de você.

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